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A tipografia em Veneza

Na Renascença, as proporções das letras romanas, consideradas ideais, foram cuidadosamente analisadas e medidas. Este tipo de letra foi evoluindo até à sua forma neo-classicista, sofreu refinamentos e variações regionais, até obter uma expressão consumada nas mãos de Bodoni e dos Didot, já no século XVIII.

Mas, para chegar a esse ponto culminante, a letra romana teve de sofrer algumas modificações.

Pois os romanos só usavam letras maiúsculas, as versais, nas lápides funerárias e nas inscrições dos monumentos.

Por outro lado, os scriptores monásticos da Idade Média tinham desenvolvido várias caligrafias regionais, usando essencialmente letras minúsculas.

Destas letras minúsculas, a chamada carolina, empregue em todo o reino unificado de Carlos Magno, era uma das mais perfeitas e legíveis.

Um dos méritos dos calígrafos italianos da Renascença foi terem combinado harmoniosamente as versais romanas com a minúscula carolina, definindo a chamada littera antiqua.

Hoje, esta «letra romana» é de uso diário, e conhecemo-la em formas como Garamond, Times e outras...

Para a ainda novíssima tecnologia da imprensa, a littera antiqua praticada pelos calígrafos humanistas italianos foi moldada em caracteres de chumbo. Conjugando perfeitamente as letras romanas minúsculas com letras versais, saem dos prelos de Veneza, em fins do séc. xv, os primeiros livros modernos.

Em poucos anos, tipógrafos franceses, alemães e italianos definiram nesta cidade do Norte da Itália a tipografia e a estética do design editorial dos livros de hoje.

Quando Gutenberg levou ao mercado em 1455 o primeiro livro impresso com tipos móveis, tinha oportunamente optado por realizá-lo com uma Textura, a variante da letra gótica que então merecia a preferência do leitor de cultura alemã. Uma das razões que impediram uma ainda mais rápida expansão da nova técnica da imprensa fora da Alemanha foi precisamente o facto de Gutenberg ter escolhido uma Textura, pois esta letra quebrada e angulosa é morosa de escrever – e difícil de ler.

Na Itália, a letra gótica tinha passado de moda; agora era a littera antiqua que merecia a aprovação dos calígrafos humanistas. Será pois esta caligrafia italiana a base estética da tipografia nos países latinos. Vejamos como sucedeu.

Links

A tipografia dos incunábulos: www.ndl.go.jp/incunabula/e/chapter2/

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Bibliografia

Heitlinger, Paulo. Tipografia: origens, formas e uso das letras. Copyright © 2006 Paulo Heitlinger, ISBN 10 972-576-396-3 , ISBN 13 978-972-576-396-4, Depósito legal 248 958/06. Dinalivro. Lisboa, 2006.

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