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Benjamin Franklin (1706-1790)Autor e impressor, político e estadista, erudito, cientista, escritor, revolucionário, tipógrafo, polemista, diplomata norte-americano. Benjamin Franklin criou a mitologia do «self-made man» mais de um século antes do termo ter sido inventado.
Um dos pontos culminantes da sua vida surgiu quando contava já 81 anos: a participação na Convenção de Filadélfia, onde seria elaborada e aprovada a Constituição federal dos Estados Unidos. Discursando em várias ocasiões, Franklin manifestava grande preocupação pelo facto de os Estados se recusarem a obter um compromisso quando à natureza do sistema federal. No último dia da Convenção, e ultrapassada essa dificuldade, Franklin confessaria por fim a sua satisfação e ao mesmo tempo as suas esperanças no futuro dos EUA. Nasceu em Boston, tendo sido impressor na sua juventude. O célebre diplomata, inventor do pára-raios e introdutor das noções de electricidade positiva e negativa foi para além de tipógrafo de mérito, cientista, político, escritor e jornalista. Benjamim Franklin foi aprendiz de tipógrafo em Boston, na oficina do irmão James Franklin. Aos doze anos de idade Benjamim entra como aprendiz de compositor na oficina do irmão, sem salário, com a condição de trabalhar como simples operário e de só receber ordenado quando tivesse vinte anos Inteligente, estudioso, amante da literatura, Benjamin cultiva-se e começa a escrever anonimamente para o Correio da Nova Inglaterra, jornal que o seu irmão publicava. Mas farto da incompreensão, inveja e exploração por parte do irmão, resolve abandonar Boston e arranja trabalho em Filadélfia na oficina de Samuel Keimer. Muito pouco tempo foi preciso para Franklin mostrar a sua grande habilidade e dotes artísticos e Keimer, entusiasmado com o engenho do jovem, depressa o distingue fazendo dele o primeiro oficial da casa e depois contra-mestre da tipografia. Guilherme Keith, governador da província, com quem Franklin travara conhecimento, pede-lhe que vá a Londres comprar todos os materiais e artefactos para uma oficina tipográfica que pensa estabelecer. E Franklin atravessa o Atlântico e vai para Londres onde arranja trabalho numa das mais conceituadas casas tipográficas londrinas, a oficina de Palme e Woll. Nesta tipografia Benjamim Franklin ganha experiência e por sua iniciativa, melhoram-se os regulamentos das oficinas tipográficas britânicas. Franklin continua a ler, a escrever, a estudar. Ele próprio explicou a influência que a tipografia teve na sua paixão pela literatura e pelo estudo: "O componedor é um óptimo instrumento de iniciação literária. Enquanto compomos seguimos as ideias dum autor, estudamos o seu estilo, perscrutamos o seu processo de raciocínio e de escrever, surpreendemos os seus segredos, aprendemos com ele a ser também escritores, caso tenhamos alguma vocação... Além disso, temos ensejo para apreciar, sob todas as facetas, as ideias do «original». Enquanto alinhamos os tipos, o nosso pensamento procede a um curioso trabalho de exame e de crítica, equivalente a uma salutar ginástica de inteligência". Em 1726 Benjamim Franklin regressa à América e em Filadélfia associa-se a um antigo colega, Hugh Meredith, que não entra na sociedade com capital, e monta a sua própria tipografia. Aí funda o Almanaque do bom homem Ricardo e o jornal Gazeta de Filadélfia.
Algum tempo depois, com os proventos da sua actividade gráfica, cria a primeira biblioteca pública, a primeira academia livre e o primeiro hospital da América do Norte.
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Uma série de trabalhos científicos, entre 1746 e 1747, culminam com a invenção do pára-raios. Franklin não era um físico e o que sabia da matéria aprendera de forma autodidáctica. A invenção, que serviria para proteger muitas vidas dos raios eléctricos durante as trovoadas, foi feita através de uma experiência simples. Foi necessário apenas uma corda, um papagaio e uma chave... A partir daqui estão abertas as portas da Sociedade Real de Londres e da Academia de Ciências de Paris que Franklin transporá de forma triunfal. Começa também aqui a sua brilhante carreira de político, de embaixador, de patriota intransigente dos interesses da pátria, uma nação nascente que ganhará a independência com o contributo de um tipógrafo, profissão que Franklin sempre considerou ser a sua. Em 1736 é nomeado secretário da Assembleia Provincial, em 1747 é eleito membro da Assembleia, em 1748 negoceia um tratado com os índios, e em 1753 é nomeado Director-Geral do Correio de Filadélfia. Entre 1757 e 1762 vive de novo em Londres e em 1775, eleito deputado ao primeiro Congresso pela província da Pensilvânia, redige em conjunto com Jeffersson e John Adams, o manifesto da declaração da independência dos Estados Unidos da América. Em 1767, quando o Parlamento britânico fixou taxas aduaneiras pela importação de papel, vidro, chumbo e chá na América, os colonos americanos combinaram não comprar estes produtos; um boicote do qual o comércio inglês se ressentiu; as cobranças das taxas traziam mais despesa do que receita. Boston viveu então um conflito sangrento em 1770 e três anos depois do lançamento daqueles impostos o governo inglês suprimiu-os mantendo apenas o imposto sobre o chá. Em 1773, de novo em Boston, dá-se o incidente conhecido por "The Boston Tea Party", quando os colonos deitam ao mar os fardos de chá que três navios chegados ao porto transportavam. Este incidente é a alavanca da ruptura entre o Reino Unido e as colónias norte-amaericanas. Em 1776 a Virgínia declara unilateralmente a independência e os outros estados seguem o exemplo. Segue-se a guerra. Mas a vontade de ser autónomos e o importante apoio da França levaram os americanos ao triunfo, sob o comando do general George Washington. Franklin desempenhou nesta fase, um importante papel. Ao conhecer-se a capitulação de Saratoga, é ele que negoceia e assina com Louis XVI de França um pacto de aliança e comércio que vergará os ingleses, forçando-os ao reconhecimento da independência americana em Versailles no ano de 1783. Em 16 de Abril de 1790, com 84 anos de idade, morre Benjamim Franklin. Na lápide do seu túmulo, por ordem sua e escrito por ele próprio, gravou-se o seguinte epitáfio: «Aqui jaz, para sustento dos vermes, o corpo de Benjamim Franklin, impressor, como a capa de um livro velho com as folhas já rasgadas e a encadernação estragada. Mas não ficará obra perdida, pois reaparecerá, segundo crê, em nova edição revista e corrigida pelo autor». Temas relacionadosArtigo sobre BF nos Cadernos de Tipografia Nr.6 / Fevereiro 2008, PDF. Primórdios da Tipografia nos Estados Unidos da América Linkshttp://www.rarebookroom.org/Franklin.html
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