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Eric Gill (18821940)
A forte personalidade de Gill foi espelho do grande antagonismo que dividia a arte e indústria (e os intelectuais e políticos) da sua época: a mestria do labor artesanal, enraizada em frutíferas tradições, versus o rápido e eficiente desempenho da maquinaria industrial e da produção em massa.Relevante para a compreensão destes tempos é a aguda reflexão de Gill sobre este antagonismo, especialmente no Essay on Typography, o seu manifesto de 1931, já disponível em tradução para o português. Socialista, católico, sensualista, excêntrico, artista e polémico lutadorArthur Eric Rowton Gill (2 de Fevereiro de 1882 17 de Novembro de 1940) foi um dos maiores tipógrafos do século XX, além de ter se dedicado a escultura, ilustração e a gravura. Uma das suas principais contribuições ao design gráfico foi a Gill Sans, que teve grande influência na história da tipografia britânica e internacional. Na sua lápide funerária, Eric Gill quis ser designado por stone carver gravador de lápides. Uma designação que tange as duas actividades que o tornaram famoso: escultor e inventor de letras. Mas também poderia ter optado por ilustrador, pois basta ver as belas xilogravuras que fez para a obra Canticum Canticorum da Editora Cranach e para o livro Four Gospels da Cockerel Presspara confirmar as suas qualidades artísticas. Também poderia ter sido a designação de ensaísta, pois Gill escreveu um sem-número de obras sobre a sexualidade, a política, a religião, o trabalho, a arte, a moda e a tipografia. Como typeface designer, EG mostrou grande valor ao desenvolver dois bestsellers tipográficos do século XX: as famílias de fontes Gill Sans e Perpetua. Gill chegou à tipografia através de Stanley Morison, o inventor da Times New Roman. Por encomenda de Morison, Gill adaptou para a fundição Monotype a letra sans-serif com o seu nome a Gill Sans , o primeiro desenho sem serifa a alcançar profuso uso na Grã-Bretanha.
Eric Gill nasceu no ano de 1882 em Brighton (Inglaterra), filho de um pastor protestante e de uma cantora lírica; parece que pai e mãe marcaram os antípodas do espiritualismo e do sensualismo que polarizaram toda a sua actividade. Estudou na Escola de Arte de Chichester. Com 17 anos começou uma aprendizagem junto a W.H. Caroë, arquitecto da Comissão Eclesiástica de Westminster. Na Escola de Artes e Ofícios, assistiu às classes de caligrafia de Edward Johnston. Johnston passou a ser mestre e em breve também camarada de Gill. No início da sua acidentada carreira profissional, Gill gravou letras em pedra e letras em madeira para folhas de rosto de livros. A sua escultura em pedra alcançou alguma notoriedade, pelo que foi convidado a realizar obras para a sede da BBC em Londres e para a Catedral de Westminster. Durante toda a sua vida, Gill tentou achar o justo equilíbrio entre corpo e espírito, para dar o necessário espaço, tanto à sua forte sensualidade, como às suas preocupações morais. A sua notória energia erótica foi canalizada não só para as suas relações com várias mulheres (antes e depois do seu casamento), como encontrou pungente expressão nas suas belas xilogravuras. As suas opções espirituais levaram-no até à Igreja romano-católica. Casou-se em 1913 e um ano depois fez-se membro da Fabian Socialist Society - à procura de uma terceira via entre o Socialismo e o Catolicismo. Sempre divido entre a carne e alma, Gill tentou unificar ambos: Man is Matter and Spirit: both real and good (O Homem é Matéria e Espírito; ambos (pólos) são verdadeiros e bons).
A roupagem que Gill usava, identificava-o como uma forte personalidade, um verdadeiro character britânico, da vertente excêntrica; também um autêntico free thinker. Sempre de chapéu e calçando botas, fazia assim «a necessária reverência aos pés e à cabeça». Alegava que tanto homens como mulheres deveriam usar cómodas togas romanas. As roupas que ele usava, tinham antes que mais a função de serem confortáveis e vistosas; sinais dos seus ideais, assim como uma maneira de se delimitar da uniforme, triste e cinzenta massa humana («dumb driven cattle») que era o que lhe parecia ser a maioria dos seus embrutecidos contemporâneos. Gill conseguiu subvencionar a maior parte da sua existência com a sua actividade tipográfica e publicista. Na sua ética profissional, as formas das letras deviam, antes que mais, proporcionar excelente legibilidade, a escrita devia de ser clara, livre de brincadeiras e ornamentos e devia de ser ornada com vistosas iniciais. Para Eric Gill era o difícil jogo entre o claro e o escuro e o contraste entre as linhas finas e grossas que davam a necessária tensão às contraformas, aos espaços brancos. Este e outros aspectos podem ser detectados em toda sua impressionante obra pluridisciplinar e na sua tipografia, que nos legou duas das mais exitosas letras do século XX.
Eric Gill foi aluno, camarada e admirador do desenhador de letras Edward Johnston. Ambos, mestre e discípulo, dedicaram-se ao estudos de letras lapidares, ambos eram apreciadores convictos das letras renascentistas. Fontes de Eric Gill
PublicaçõesGill, Eric. An Essay on Typography classic study of the aesthetics and morals of good design. David R. Godine [1993], pp. 144, ISBN: 0879239506.
BibliografiaHeitlinger, Paulo. Tipografia: origens, formas e uso das letras. ISBN 10 972-576-396-3 , ISBN 13 978-972-576-396-4, Depósito legal 248 958/06. Dinalivro. Lisboa, 2006.
Videoshttp://www.factualtv.com/documentary/The-Art-of-Eric-Gill Página actualizada em 08.2009 |
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